Mary, baixando se, como para fazer melhor a pontaria, disse-me com a voz afogada pelos soluços:
—Dear! It is for the last time!...
Sim, era a ultima vez que poderiamos trocar uma palavra em segredo!
Não tardaria que terminasse o lunch, a que ella se tinha subtrahido, pretextando um incommodo de estomago.
Era a ultima vez em que poderiamos combinar os nossos projectos de futuro esboçados na vespera, e que a nossa ingenuidade considerava infalliveis.
Então, reanimei-me!
Quiz mostrar a Mary que, apesar dos meus dezeseis annos, não era uma creança incapaz de uma grande resolução.
Quem me déra poder repetir o que então lhe disse! O que haverá de mais puro, de mais elevado, do que as palavras que exprimem um primeiro amor, e que desabrocham da bocca do adolescente, com toda a sinceridade, candura e enthusiasmo de que é susceptivel uma alma?
Nos intervallos deixados pelo jogo, que seguiamos machinalmente, mostrei-lhe que eram impossiveis os devaneios formados na vespera; que era um puro sonho de creança o pensar que ella, herdeira rica, poderia ser para mim, que nada possuia; mas que forcejaria por merecel-a, estudando, trabalhando até vencer!
E phantasiava um futuro de triumphos. Antevia o meu regresso á Madeira. Vinha coberto de gloria, subia a calçada do Monte, e ia depôr com ufania todos os louros colhidos, aos pés de Mary, que seria então para mim.