—Nunca mais me esquece? perguntou ella ainda uma vez, fitando de novo em mim os seus olhos azues, profundos, scismadores.
—Never more! respondi, e estando muito perto d’ella, prestes a acabar o jogo do croquet, quiz beijar-lhe de leve, fugitivamente o braço alvo e rosado, que saía da manga larga do vestido.
Mary arredou-se com vivacidade e lançou-me um olhar de censura, em que vinha implicito um shoking.
N’aquella occasião levantaram-se da meza, e o taboleiro do croquet foi logo invadido pelos que tinham estado fazendo honra ao pale ale e ás sandwiches, e vinham para os canapés de vime gosar a sombra dos grandes castanheiros, que entrelaçavam lá muito em cima as frondosas ramarias, formando um impenetravel docel.
No dia seguinte chegou o vapor da carreira e d’ahi a dois dias parti para Lisboa.
Não consegui trocar mais uma palavra com Mary.
Apenas a Clarinha me disse que poderia escrever-lhe.
Boa Clarinha! Os seus quarenta annos de solteirona nunca se tinham negado a prestar similhantes favores!
* * * * *
Que tempo durou a nossa correspondencia?