A Isabel não poude levar por deante o epiphonema, porque a filha, cingindo-lhe as costas com o braço direito e achegando-a a si brandamente, segredou:
—Bom! Bom! Deixe estar que não se arrepende... e ha de me dar razão algum dia, vendo-me feliz.
—Deus te ouvisse, filha, Deus te ouvisse! Mas o que tu me obrigas a fazer!... Olha! O melhor era deixares aquelle ... não sei que diga!
—Outra vez!... Escolha: ou a mãe consente em ajudar-me, ou eu digo hoje mesmo tudo a meu marido!
—Não, mulher, não lhe digas nada!
E com os olhos em alvo, as mãos erguidas, os dedos enclavinhados, a viuva exclamou:
—Seja tudo pelo amor de Deus!
IV
O José Maria andou uns poucos de dias a parafusar, antes que se resolvesse a dizer ao Jorge umas coisas, que lhe tinham contado muito em segredo a respeito da Rosa, e que elle acreditou, porque eram o complemento e a confirmação da scena entrevista em S. João de Deus.
Esteve quasi decidido a calar-se, porque dava razão ao dictado «Entre marido e mulher não mettas a colher», e tambem porque lhe custava muito ir destruir para sempre a alegria ao seu antigo camarada.