V
Foi na courella cultivada pelo Jorge no monte Brazil, que o José Maria encontrou d’alli a pouco o seu antigo companheiro de armas.
Primeiro que entrasse no assumpto, falou de mil ninharias: das lagostas que na vespera tinha pescado na bahia do Fundão; na queda que o corneteiro-mór reformado ia dando na Quebrada, quando andava a apanhar cracas.—Ainda que se não esmigalhasse na rocha empinada e de temerosa altura, e fosse cahir no mar, não escaparia de certo ao mergulho, pois elle a nadar era mesmo um prego!
Foi tagarelando, tagarelando, mas sem alludir á Rosa. Todas as vezes que a rapariga lhe acudia á lembrança, parecia que se lhe punha um nó na garganta.
Afinal o Jorge deu por isto, e foi o proprio que perguntou:
—O’ José Maria, tu estás, a modos, exquisito? Parece que tens uma coisa para me dizer e que não te astreves...
O outro ainda lhe retorquiu com um «Olha lá!...» e quiz fingir ar de riso. Mas não poude levar por deante a dissimulação e disse por fim, deixando-se cahir sentado n’uma pedra:
—Pois tenho, tenho muito que te dizer.
—Se é da Rosa, não me digas nada! respondeu-lhe o amigo com arrebatamento. Sei que ella não vae á tua bola, e pódes ter ouvido por ahi qualquer coisa contra a rapariga, e vir então buzinar-me os ouvidos... Se adivinhei, não tenhas esse trabalho!
—Ó Jorge, pois tu fazes de mim similhante ideia?! perguntou o José Maria todo sentido e levantando-se de esfuziote. Metteu-se-te na cabeça que eu fosse capaz de dizer coisas, de que não tivesse a certeza? Bem! Bem! Como te deram volta ao juizo, já aqui não está quem falou ... isto é, quem ia falar!