—Um beijo? Quando?
—N’essa mesma occasião. Como se julgava a sós com a rapariga, visto os mais terem debandado, tomou esse atrevimento ... mas eu que vinha adiante de ti pude ainda vel-o.
—Viste-o? Tens a certeza?...
—Pareceu-me que sim. Bem sabes que eu, bebendo uma pinga a mais...
—Pareceu-te! Eu pergunto se tens a certeza!...
—Antes de passar a porta que dá para o quintal onde elles estavam, ouvi a modos a bulha de um beijo, e como fui dar com o sargento ainda a amparal-a, acredito que elle a beijasse, como dizem por ahi.
—Se não viste, para que repetes o que pode ser mentira? E olha que nos dias que se seguiram, lembro-me muito bem, ella não fez differença nenhuma. Nunca se tirava de ao pé de mim. E sempre alegre!... Se tivesse feito o que dizem, não sabia sustentar aquelle disfarce.
—Isso é o que tu julgas. As mulheres, quando pendem para a banda do arrocho...
—Ainda que quizesse pôr pé em ramo verde, não podia, respondeu o Jorge com impaciencia. Em quanto eu estou fóra de casa, a Isabel não perde a filha de vista. Já te disse! Não ha uma hora do dia em que a Rosa esteja desacompanhada.
—E de noite?... perguntou o José Maria, que inconscientemente tomava calor perante as objecções do camarada, e, excitado pela controversia, dizia coisas, que não lhe sairiam da bocca n’outra occasião.