Meio suffocado pelo desespero e pelo asco, mas curioso de saber até onde chegaria aquella abjecção, o velho quiz ouvil-a. Não poude esquivar-se todavia a dizer-lhe com desprezo:
—Grande porca!
—Porco é você! Um porco, que me sujou casando commigo! Porcos os seus beijos! Desde o dia em que me levou á egreja, tenho nojo de mim! Veja-se n’um espelho, seu velho tinhoso, e diga-me depois se eu era para a sua bocca!
O veterano cresceu para ella, chamando-lhe:
—Valhaca! Surrão!
Quiz agarral-a, porém a rapariga furtou-lhe as voltas, e continuou a provocal-o:
—Muito lhe tenho eu aturado! Nenhuma outra soffria tanto. O que eu lhe fiz, não é nem a metade do que você merece!
—Eu mato-te, diabo, eu mato-te! Nem já sequer te vejo!
—Nunca me tivesse visto! Oxalá! Fique sabendo que não gosto de você, nem gostei nunca, nunca! D’elle! D’elle, unicamente!...
E apontou na direcção do bote, que os dois, afastados um pouco da rampa, não podiam agora ver.