Minha alma presa ficou.

IX

O Jorge não poude seguir a mulher no caminho da morte.

Quando ia para despenhar-se, deitaram-lhe a mão o corneteiro-mór reformado e outro homem.

Preso para conselho de guerra, foi julgado tres mezes depois e confessou o crime, sem todavia declarar, por mais instancias que lhe fizessem, os motivos a que tinha obedecido. Os insultos e provocações com que a Rosa o allucinara, contaram-os ao conselho aquellas duas testemunhas. Estavam perto, mas não tinham sabido intervir a tempo de evitar a catastrophe.

Em quanto duraram estes depoimentos, o Jorge, envergonhado não por si mas por ella, tapava o rosto e cravava na testa os dedos contrahidos.

Impressionou vivamente ao auditorio o discurso do defensor. Quem apresentava aquella honrosa biographia militar, allegou o moço official, não era de certo um assassino. Tinha feito uma morte, praticando aliás um acto de verdadeira justiça social, mas não commettera um crime, pois estava inteiramente privado da intelligencia do mal que fazia, o que era previsto pelo codigo.

No fim, o presidente perguntou ao accusado se tinha mais alguma coisa que allegar em sua defeza.

—A minha pena toda é que V. S.as não possam mandar-me varar por quatro balas, respondeu o velho, e não pronunciou mais palavra.

Foi absolvido por unanimidade.