O José Maria acompanhou-o a casa, e no intuito de consolal-o disse-lhe que a Rosa só tinha tido o que merecia.

—Cala-te, homem, cala-te! vociferou o Jorge, e atirou-se para cima da cama, onde ficou deitado, com a cara voltada para a parede, os olhos abertos e inexpressivos.

N’isto chegou-lhe á porta a Isabel e não se fartou de injurial-o.

—Peiores que o matador de sua filha, só os malvados do conselho de guerra, que o tinham absolvido! Tudo uma cafila!

O José Maria dispunha-se a correr com ella, quando a Josepha Julia e a Luiza Braga, que vinham á descoberta, a levaram d’alli.

—Deixa-o lá, dizia-lhe a Luiza, com o braço mettido no da viuva. Bem castigado ficou elle, perdendo a sua Rosa. Tens razão para lhe querer mal, mas, diga-se a verdade, o que a tua filha fez ao Jorge...

—E tu e as mais o que fazem? berrou a Isabel. Mas logo, cahindo no tom lastimoso, ajuntou: O corpo da pobresinha lá está no fundo do mar ... ou talvez fosse comido por algum peixe!

Seguiram caladas pela rua adeante.

—Se todos os maridos, que teem razão de queixa das mulheres, seguissem a receita do Jorge—meditava a Josepha Julia, com azedume de solteirona—os peixes, de gordos, chegariam a não poder nadar!

Depois, lembrou-se de uma novidade capaz de alegrar a Isabel: