HAVIA já tres quartos de hora que se distribuira o rancho da tarde, no quartel de S. João em Ponta Delgada.

Os piquetes, que tinham ído levar a comida ás guardas exteriores, vinham já de volta e encontravam-se de vez em quando com os soldados que desciam a rua, aos grupos de dois e tres, alguns de mãos dadas pelos dedos minimos, lançando para as raparigas, que estavam pelas portas e janellas, uns olhares provocadores. Se estes galanteios destoavam grandemente da apparencia pouco seductora dos D. Juans de fardeta, nem sempre se perdiam.

Dentro do quartel, nas casernas pequenas e abafadiças, tinham ficado apenas as praças de serviço.

Na da segunda companhia, em redor de uma cama onde está sentado o cabo José, ha ainda assim grande ajuntamento, e estrugem a espaços enormes gargalhadas, que interrompem momentaneamente a cantiga, origem da hilaridade, e chegam até a cobrir os sons da viola que o cabo, um heroe dos charambas, dedilha com uma pericia incomparavel.

Mas que terá o Roque, o 72, que, sem attender aos descantes, anda a passeiar de um para outro lado, muito pensativo?

É por força cousa séria.

Oh! Mas o rapaz tomou certamente uma resolução, porque abriu a caixa da roupa, tirou para fóra a fardeta, e vestiu-a, abotoando-se cuidadosamente. Depois ageitou o bonnet na cabeça e caminhou para a porta.

—Vaes passeiar, ó Roque? perguntou-lhe o plantão?

—Tu sabes se o nosso primeiro está no seu quarto?

—Saiu ha migalhinha. Foi com o nosso sargento José Luiz passeiar á doca.