Em sua casa, menina?… Por que não diz antes em nossa casa?… Era mais verdadeira, não occultando a parte do sr. tenente…
Alfredo (com imperio):
Nem mais uma palavra, soldado!… Vá immediatamente para casa, e lá ajustaremos contas…
João (cada vez mais furiôso):
Hei de ir para casa, meu tenente… para uma casa que se fez logo que eu nasci, e que tem uns oito palmos de comprido… mas antes de me levarem para lá, quero contar-lhe em poucas palavras toda a minha vida… Fui casado á face da egreja, meu tenente… Minha mulher morreu de fome, em quanto eu batalhava pela liberdade da Peninsula… Ficaram-me dous filhos, que julguei mortos… não morrêram, por desgraça minha… Esta mulher, que hade partilhar, se nâo partilhou já, da infamia dos seus amores… é minha filha!… (Laura, toda trémula, etc. prostra-se de joelhos): Agora, sr. tenente, (no auge da colera): vou com estas mãos arrancar uma vida, que já conservei á custa da minha!… (Faz acção de arremetter contra o tenente e Laura arrasta-se de joelhos para os pés do pae, que não faz caso d'ella. Alfredo, toma repentinamente attitude militar, e brada em voz de commando):
Alfredo
Perfilado, 38!… Perfilado!… (Lucta de gestos de João, entre a raiva e o dever militar, vencendo este por fim, e perfilando-se. Isto deve demorar-se, até o Arthur dizer o—áparte—da scena seguinte. Logo que João se perfila, toca a orchestra em surdina até ao fim)
SCENA XII
OS MESMOS, E ARTHUR
Arthur