A voz do snr. Alfredo!… Ainda não são as horas do costume… (dirige-se á mesa, em quanto Arthur faz qualquer traquinice pela casa, e fica um pouco pensativa): Arthur tem razão… A pobre criança parece que adivinha os favores que devemos ao snr. tenente… se não fôra aquella boa alma, teriamos, eu e meu irmão, succumbido… (trabalhando, e fallando, etc.) Não sei bem, se é só gratidão o que eu sinto… Os poucos dias que deixo de vêl-o, é como se me faltasse o ar que respiro!… se Elle é tão bom, tão caritativo!… E nunca lhe ouvi uma palavra atrevida, nunca lhe vi um gesto menos respeitôso!… Elle… que podia abusar… que… (pousando o ferro): Meu Deus! E se elle fosse meu pae?!… Quem sabe?… Achei-me tão nova desamparada no mundo, e com este meu irmãosinho nos braços…
Arthur (vindo ao pé da irmã):
Ó Laura, tu que estás ahi a resmungar?… Não estejas triste, não?…
Se estás assim por minha causa, eu prometto de nunca mais fazer tolices…
Deixas-me tu ir para a porta da rua esperar o snr. tenente, deixas?…
Laura (ameigando-o):
Pois vae, vae, mas não te ajuntes com os garotos, ouviste?
Arthur (indo aos saltos):
Não junto… só hei de vêr como elles jogam o peão…
SCENA II
LAURA (só)
Laura (largando de engommar, e pegando na costura):