Muito penosa é a vida dos que vivem só para o trabalho… E o lucro que as mulheres tiram d'elle, não chega para matar a fome… se não fôra o meu protector pagar-me a renda da casa, ter-me-ia outra vez reduzido á penuria extrema, e… matava-me, para fugir á deshonra… (pausa) Horrorisa-me a idéa da vida que passam essas infelizes mal encaminhadas… O mundo não vê na mulher pobre mais do que um estimulo para os seus brutaes appetites!… Nova, como ainda sou, já por minha desgraça conheci isto; mas a Providencia, pela mão do sr. tenente, salvou-me do suicidio…

SCENA III

ARTHUR E LAURA

Arthur (entrando a correr):

Ó Laura, deram-me esta carta para te entregar… (dá a carta, e volta para a porta da rua).

SCENA IV

LAURA (só)

Laura

É d'Elle!… Estará doente, meu Deus!… (abre a carta, e lê): «Menina Laura.—É hoje mais um dos poucos dias em que me vejo obrigado a faltar-lhe com a minha visita á hora do costume… Peço-lhe que não lance esta falta na conta de esquecimento, por que a tenho sempre presente no pensamento e no coração. Até mais logo. Seu muito amigo, Alfredo.» (Declamando): Felizmente, é só algum estorvo da vida militar, e ainda hoje terei o prazer de vêl-o. (Deixa a carta no cesto da costura).

SCENA V