«Para que venha sobre vós todo o sangue dos justos, que se tem derramado sobre a terra...
(S. Lucas, XI; vida de N. S. Jesu-Christo).
I
GRATIDÃO
Tira-me já do p'rigo, amigo honrado,
Depois solta a prelenda.
(Filinto Elysio--Apologo)
É menos vulgar a existencia do homem grato do que a do homem sabio; mas a compensação do rigor d'este axioma, está na raridade com que se faz um favor desinteressado. Contam-se em pequenissima quantidade as pessoas reconhecidas; mas é grande o numero das que sabem calcular o provento, mais ou menos proximo, de suas generosidades.
O genero de maior consumo no mercado da vida humana, é o egoismo, a que chamaremos, por antonomasia, o verme do coração.
Os factos, porém, de todos os tempos, levam-nos a exceptuar a mulher da regra geral do egoismo do homem, por que é d'ella, na maior parte das suas acções, a santa abnegação: a mulher perde-se pelo amor, o homem gloria-se com elle; a mulher serve á ambição do homem, e é por elle escravisada; a mulher morre sempre por seus filhos, e o homem renega-os muitas vezes....................................................
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Quasi á mesma hora em que tinham logar as tragicas scenas do final da segunda parte d'este livro, e quando ellas ainda eram ignoradas pelos restantes habitadores do palacio, recebia D. Maria da Gloria, recolhida nos seus aposentos, uma carta que abrira, sobresaltada, com prévio consentimento de sua mãe, e que dizia assim: