N'aquelle momento sombrio, uma das pombas saltou á cabeça do moribundo, o que lhe fez entreabrir o seu ultimo sorriso.
Um despedaçador grito de Arthur, fizera prostrar todos de joelhos.
Chegava alli, da proxima campina, a melancolica toada d'este cantar:
«Vou chorar e cortar fêno,
quem trabalha tambem sente:
as paixões trazem veneno
encoberto na semente.
O nosso reitor, um santo,
reza sempre, e tambem chora!
N'um sepulchro verte o pranto
sempre, sempre á mesma hora!...
Ninguem foge ao sentimento,
ninguem foge ao seu destino...
Quem d'amor soffre o tormento,
no Céu tem Amor Divino.»
[19] É motivo de odios para os liberalões de má casta, o sustentar hoje a conveniencia da vida claustral!
Por verdadeiro affecto á liberdade, por sabermos seguir e presar o progresso do bem, é que entendemos absurda e tyrannica a extincção dos conventos. O claustro, em casos analogos ao d'aquella heroina do nosso «conto», era um refugio celeste: como suppril-o? Que liberdade é essa que tolhe as mais innocentes acções da criatura? Existiam abusos? E onde deixariam elles de existir, sem a vigilancia e o castigo dos poderes constituidos? Porque no parlamento se discutem questões impertinentes, porque no sanctuario das leis havemos presenceado scenas vergonhosas, já alguem se lembrou de extinguir a camara popular?
Consola-nos vêr sustentar a nossa opinião abalisados e insuspeitos escriptores liberaes de toda a Europa.
Dizemos desassombradamente o que sentimos: não sabemos comprehender o celibato forçado e somos desaffectos á extincção das ordens religiosas e a todas as medidas violentas oppostas á bem entendida Liberdade.
FIM DA TERCEIRA PARTE E ULTIMA
Ao snr. José Arnaldo Nogueira Molarinho, devo a delicada offerta da gravura em chapa, que serviu para a tiragem do meu retrato.