--Pouco deve importar ao snr. Soares a inimisade do snr. Lencastre. V. S.a tem a nobreza das suas acções, que não podem invejar cousa alguma ás do meu fidalgo primo.

--Não me parece tanto assim, snr.a D. Maria;--arriscou-se a dizer a timida Anna--O snr. Lencastre é pessoa muito estimavel e virtuosa, no meu humilde parecer...

--Estimavel; virtuosa e carinhosa, deves acerescentar, minha beatinha, porque o tal senhor teve artes para ganhar a tua affeição...

--Valha-te Deus, Rosa, que vês tudo pelo mau lado... Eu sou muito amiga do snr. Lencastre, como o seria de qualquer outra pessoa que conhecesse, e que nunca me fizesse mal...

--Parece-me, menina Anna, que a Rosinha foi mais verdadeira agora do que mordaz ou satyrica, como graciosamente lhe chamam;--disse Arthur Soares.--Se não, haja vista esse denunciativo rubôr que mais de palpite do que auxiliado pelo luar, d'aqui imagino vêr...

--Peço desculpa de ser contra a sua opinião, snr. Arthur, mas entendo que o pejo, manifestado nas faces, póde ter variadas origens. A Rosinha tambem córou, e talvez eu córasse egualmente, quando meu primo entrou no salão; e, com tudo, não creio que em nós exista sentimento algum reservado.

--Nunca dei entrada no meu espirito a qualquer suspeita prejudicial á inexcedivel virtude de V. Exc.a, e á que adorna as suas interessantes discipulas, o que não obstou a que eu fizesse reparo--confesso-o--em certo embaraço que descobri em todas, na occasião a que V. Exc.a se refere.

--Eu explico ao snr. Arthur Soares a razão do nosso abalo;--disse repentinamente Rosa.--Annitas, córou, porque o fidalguinho lhe não é indiferente...

--Tens cousas...

--Não me interrompas, que ter coração não fica sul a pessoa alguma, O amor, é toda a historia da vida das mulheres, como diz um livro, que a snr.a D. Maria me ensinou a lêr e entender.--Eu córei, por que antipathiso solemnemente com uns certos modos do snr. Lencastre, que já me fez a honra de dizer que eu era bonita e espirituosa... A snr.a D. Maria...