--Ouvirei, senhor Leopoldo.
--Peço desculpa de não principiar pelos offerecimentos do estylo: julgo que minha mulher saberia fazer-lhe o que chamam as honras da casa?...
--A senhora D. Anna recebeu-me como uma senhora distincta costuma agasalhar um companheiro de infancia, um como irmão respeitoso e lealmente affeiçoado.
--Muito bem... Poderei saber o motivo porque se aproveitou a minha ausencia, para a visita com que V. S.a quiz honrar esta casa?...
--Porque não me sendo agradavel a presença de V. Exc.a, devo suppor que a minha egualmente o não seja ao senhor Leopoldo.
--Colhe alguma cousa essa franqueza... E o motivo da conferencia, é segredo para mim?...
--Não guardo segredos de uma senhora casada. Vim visitar a senhora D. Anna, em nome de pessoas que a presam, e pedir-lhe esta auctorisação:--«Dou a Arthur Soares os poderes necessarios, para receber toda a quantia ou valores a que eu tenho direito.»
--Vejo que se faz procurador de minha mulher, sem outhorga minha!... É para intentar divorcio, e pedir-me alimentos?...
--Pondo agora de parte as suas impertinentes ironias, assevero-lhe que S. Ex.ma esposa não é pobre, e que, para cobrar o que lhe pertence, é que eu vim pedir-lhe este escripto.
--E que validade descobre V. S.a n'esse papel, que não é authenticado por mim?... Pois não serei eu o competente para essa cobrança?...