É natural de Guimarães, o snr. José Arnaldo Nogueira Molarinho, residente hoje na cidade do Porto, notavel curioso de obras de prata e de marfim, e celebre artista gravador de medalhas, algumas das quaes teem sido admiradas dentro e fóra do paiz.[10]

Nasceu tambem aqui o apreciavel rabequista, e maestro, Francisco de Sá Noronha, que, nas suas viagens, se tem feito admirar em quasi toda a Europa, recebendo honras, e condecorações de alguns monarchas.[11]

É distincto, em equitação, e talvez se possa chamar o primeiro cavalleiro peninsular, o snr. José Martins Minotes.

São profundos jurisconsultos, e como taes conhecidos em todo o reino, os senhores doutores Bento Antonio d'Oliveira Cardoso, e Antonio Leite de Castro.

É mimoso poeta e dramaturgo, o senhor doutor Antonio d'Oliveira Cardoso.

Tem logar conhecido entre os amadores das boas Lettras, o snr. doutor Francisco de Moraes Sarmento, apreciado já, nas suas obras, pelo nosso bom e fecundo romancista, o snr. Camillo Castello Branco.

Os que hoje representam os antigos fidalgos do «Berço da Monarchia», são todos pessoas estimaveis, caritativas, e uteis. Não existe aqui, onde a nobreza é verdadeira, esses enfatuamentos condemnaveis, que só prejudicam seus donos. Na casa do mais distincto cidadão vimaranense, tem facil entrada, e bom acolhimento, toda a pessoa que lhe bate á porta por mais humilde que seja. É tambem por isto, que a nobreza vimaranense, hoje como sempre, é por todos respeitada.

Peza a louza do sepulchro sobre as cinzas de tres condes, que, por sua popularidade, e importantes cargos que exerceram, deixaram no seu paiz honrosa memoria.

Tudo que dizemos, e muito mais que, em verdade, poderiamos dizer de Guimarães, tem desafiado a critica mordaz dos fortes espiritos do seculo, que a chamam terra retrógrada.

É certo, que o progresso material não tem entrado aqui, com a velocidade que fôra para desejar; mas nem por isso deixam de ser plenamente satisfeitas todas as necessidades da vida. E a cada passo vemos, para comprovar a bondade da terra, adoptarem Guimarães, por sua patria, muitos estrangeiros, que n'ella encontram estimação.