A nudez e a fome, tomam então logar juncto ao umbral solitario da infeliz!... Que lhe resta?!... Vender-se!... Pedir ao primeiro que passa, que lhe estampe na fronte o ferrete do aviltamento pelo óbulo da infamia!...
Depois, as dissoluções, a velhice prematura, a miseria e a doença!...
Depois, a enxerga da caridade!...
Depois, a valla commum do cemiterio!...
Depois, nem uma só lagrima que lhe aqueça as cinzas; nem uma só flôr no seu jazigo; ninguem que ore por ella a Deus!...
E o elegante seductor?...
Passou a fazer novas conquistas; gastou o melhor do seu vigor e da sua fortuna, em atirar com muitas irmãs na desgraça ao lado da sua primeira victima; pensou mais tarde em casar-se; escolheu convenientemente a esposa, fez-lhe a mercê do seu nome e, para vingar-se de uma affronta, que não podia ter o seu perdão, assassinou a mulher adultera!...............................................................
Rosa, luctava com animo viril contra as tentações de todo o genero de que se via rodeada no bordel a que voluntariamente se acolhêra. Eram-lhe, porém, já muito pesadas essas luctas desiguaes. Mais ainda que os atrevimentos e ciladas dos vadios frequentadores d'aquella casa, causavam asco á virtuosa donzella as suggestões das infelizes do seu mesmo sexo, pervertidas até ao extremo de tentarem chamar ao seu grémio as que não tinham mácula.
Principiava a entrar na alma de Rosa o arrependimento do passo precipitado a que se abalançara. Conhecêra, ainda que tarde, a borda do precipicio em que estava, receiava pelas suas forças, e tremia de não saber como fugir-lhe.
Uma noite, foi a donzella mais atacada pelo terror: pareceu-lhe, a deshoras, ouvir estranhos rumores, fóra do seu pequeno e pessimo quarto. A pouca segurança da porta, e da fragil fechadura, augmentava o receio da donzella: apromptou luz, e vestiu-se.