O rumor aproximou-se, a porta foi violentada, e Rosa agarrada fortemente pelos pulsos:

--Não esperava esta desfórra do seu militar, amavel vivandeira?!...

--Deixe-me... largue-me... acudam!...

--Não espante as pulgas, menina... Esta boa terra dorme toda ás nove horas, e já passa da meia noite... Só poderia esperar beneficio da minha generosidade, e eu, confesso, não tenho o fraco de generoso...

--Não realisará a malvadez que intenta, em quanto eu tiver um sôpro de vida...

--É o que vamos a vêr...

E o malvado homem empregava todas as suas forças, em dobrar a mulher, que não podéra seduzir.

Rosa, debatia-se com toda a furia e, mais que outra qualquer, resistira por muito tempo.

Quando estava proxima a matar-se ou a ser preza do infame, quebrou-se repentinamente um vidro da janella, e varanda, que dava para a rua, abriu-se a porta d'ella, e penetrou no quarto um homem, possesso da furia do leão, que descarregou sobre a cabeça do aggressor uma fortissima pancada, com o castão de um chicote de força, estendendo-o logo sem accordo de si.

--O snr. João de Lencastre!!... Oh, leve-me d'aqui!... Salve- me!... A mais forte das mulheres, cercada d'estas infamias, é impotente e fraca!... Agora o conheço!... Mas... como appareceu tanto a proposito?!...