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[CAPITULO XVIII]

[Adalberto não era um ingrato.]

Haviam passado dez dias que tinham mudado o aspecto a muitas coisas. A velha Praxedes, que desde muito tempo parecia ter apenas um resto de vida, mas um resto muito mau, a velha Praxedes tinha succumbido ao choque, e o seu desapparecimento d'este mundo não deixára saudades. As duas crianças, Natchès e Tilly, das quaes Adalberto tinha narrado as tristes aventuras, tinham sido recolhidas provisoriamente pelos bons moradores da casa branca. Tilly tossia a todo o momento, e todos sentiam por esta rapariguinha uma grande compaixão.{240}

Continuavam as indagações, mas cessaram de perseguir o Hercules; a boa Gella, transportada da prisão para o hospicio, estava n'uma cama muito aceiada, rodeada de cuidados, de que a sua ferida carecia. A sua expressão era serena; sabia já que a fuga do pequeno tinha sido um dom da Providencia. Conhecia e explicava a si propria o encadeamento de successos que tinham preparado a libertação de Adalberto; e, tranquilla do futuro, já não dizia: elles enganaram-me!

Mas o que se havia passado em Valneige? O pae não tinha partido apressadamente logo que recebera a carta do senhor Deschamps? Não.

A mãe não tinha escripto, para mostrar pelo menos o seu reconhecimento? Não.

Comtudo havia-se recebido uma resposta de Valneige, mas era de Camilla e redigida nestes termos:

«Senhor.

«Escrevo da parte de meu pae, doente ha um mez e reduzido pela febre a uma extrema fraqueza. A sua carta ha de cural-o de certo, porque o seu mal é o pezar que o opprime desde que perdemos o meu manosinho.