Sophia concordou que o querido pequeno era muito rasoavel, e mudou de systema. Comtudo viu com verdadeira alegria e alguma vaidade, que o pequeno ia engordando, que os seus olhos se animavam, e que tinha melhor côr.

O que a felicidade e a liberdade tinham feito em grande parte, attribuia-o Sophia só aos seus manjares; e d'este modo todos ficaram contentes.

Havia seis dias que Adalberto vivia debaixo d'este tecto tão affectuosamente hospitaleiro, quando uma senhora d'um aspecto grave e distincto, seguida por um criado, bateu á porta da casa branca. Julião abriu, mas antes de ter tido tempo de lhe dirigir a palavra, correu ella para a criança, que brincava no pateo com Tom, e apertou-a estreitamente nos seus braços maternaes. Toda a gente accudiu. Foi grande a commoção. O proprio senhor Deschamps perturbou-se, e Julião disse baixinho a Gervasio, que chorava d'alegria:

—Palavra, que até estou a tremer! Faz mais impressão do que o attaque de Sebastopol!

Depois d'este primeiro instante de surpreza entraram na sala, e, por um rasgo de sensibilidade, a senhora Deschamps disse a seu marido:{246}

—Deixemol-a só com elle.

Ambos sahiram da sala e fecharam a porta.

Foi então que a senhora de Valneige comprehendeu o grau da sua felicidade.

Não fallava, mas olhava para seu filho, como se quizesse ler na sua alma. Parecia-lhe, pobre senhora! tornar a tomar posse d'este pequeno ser, que Deus lhe tinha dado. Pegava-lhe nas mãos, que apertava nas suas, como para affirmar os seus direitos, e restabelecer esta dôce cadêa, que nos impõe os affectos do coração. Oh! que de lagrimas que cahiam dos seus olhos! Seu filho estava alli e adorava-a!

A vida tornava a ter os seus encantos. A senhora de Valneige já se não sentia infeliz.