—Não, papá.{260}

O pae inquieto, fez em voz baixa algumas perguntas, e seu filho respondeu-lhe transido de medo:

—É o homem!

Houve um momento de horror na alma do senhor de Valneige.

Estava ali diante do carrasco do seu filho. O acaso entregava-o á justa vingança d'um pae, que podia fazel-o prender, julgar, condemnar; tinha testemunhas, provas: o botão, a nódoa de tinta, a fita doirada, as palavras escritas na adêga, a deposição de Baptista e da vendedora; Julião, Sophia, Josephina tudo lhe vinha á memoria, tudo o levava a proseguir; mas havia tambem na sua carteira uma carta da pobre Gella, que se fiava na sua palavra. É verdade que as suas previsões não se tinham realisado; mas tinha dado indicações em troca D'uma promessa. O senhor de Valneige olhou para este homem, e, tremendo sob o peso d'esta promessa sagrada, eterna, disse a Adalberto:

—Ó meu filho! lembra-te sempre, que a palavra de honra é um juramento, que um homem não pode violar debaixo de nenhum pretexto, e em nenhuma circumstancia.

Ao mesmo tempo o senhor de Valneige ainda convalescente fechou os olhos; chegou a sua vez de empallidecer; tornaram-se-lhe os beiços brancos, e Adalberto soltou um grito. O desmaio durou só um instante; as companheiras, de viagem abriram as vidraças para dar ar{261} ao doente. Todos olharam para elle e para seu filho.

Esta grande emoção passou. Na primeira estação o pae e o filho desceram.

O homem de ferro desceu tambem, e não tornou a subir.

Depois de se fallar detidamente d'este sombrio incidente no wagon onde ia a familia, chegaram á casa branca. Tudo em azafama! Faziam as camas, punham a meza etc. Não faltava movimento, nem alegria, e na cosinha mais uma fornalha acêza, porque Sophia não descansava.