—Então, quando eu vi que era meia noite, disse commigo: ora esta! julguei que era mais tarde. A noite foi feita para dormir, toca a dormir. Tanto peior para as minhas pernas! Custou-me a pegar outra vez no somno; muito me custou! Abria os olhos, fechava-os, tornava{48} a abril-os, tossia, assoava-me, cuspia, esfregava-me, era um nunca acabar!
—E depois!
—Acabei por adormecer, e sonhei que passeava n'um lindo jardim, onde havia um grande tanque, mas grande, grande, como não é possivel, como ás vezes a gente sonha; a tia Rosinha sabe.
—Sim, sim, e depois tia Godinette?
—Depois? era comprido o tal tanque, mas comprido como d'aqui á cruz da estrada. Que digo eu?... Como d'aqui ao... ao...
—Ao fim do mundo. Ande lá tia Godinette.
—Justamente! sempre tem idéas! Vi então do outro lado do tanque uma raposa. É verdade, uma raposa e ao mesmo tempo o seu menino, que tinha á cabeça um cesto, vossemecê bem sabe, d'estes cestos em que se põe...
—Sim, sim, estou a vêl-o.
—Está mesmo a vêl-o, não é assim? Mette-se nos taes cestos, mette-se...
—Mette-se tudo o que se quer.