Um pouco mais tarde, a chuva começou a cahir fóra e o vento fez gemer as faias que guarneciam o caminho deserto. A criança quasi desfallecida de fome, de pena e de miseria, fechou os olhos, e, julgando que se chamava morrer ao que sentia, abaixou a sua cabecinha e disse baixinho: Mamã!{131}

[CAPITULO X]

[Adalberto hesitava.]

Havia muito tempo que o filho da senhora de Valneige não se mexia, e que julgava realmente as suas forças esgotadas. O relogio acabava de dar oito horas. Como o céo estava escuro e a tempestade agitava a natureza, a estrella não appareceu, aquella estrella a que na vespera tinha chamado Adilia; estava pois alli sem consolação, esperando, sem saber mesmo o que esperava.

De repente, sentiu passos, depois a bulha de um vestido sobre o varão de ferro que atravessava a fresta, e uma voz muito doce que dizia baixinho:{132}

—Pequeno, estás ahi?

Bateu-lhe com força o coração; levantou-se de uma vez, espantado da força que a emoção lhe dava; mas bem depressa julgou sonhar porque não ouviu mais nada.

Cheio de anxiedade, escuta... Repetem baixinho:

—Pequeno, estás ahi?

—Sim, sim, estou, gritou Adalberto, tira-me d'aqui! tira-me d'aqui!