O prisioneiro acabava de reconhecer a voz de Gella, voz boa e doce quando ella fallava baixo e amigavelmente. A rapariga tinha-se inclinado sobre a fresta; uma luz fraca deixava vêr debaixo a sua cabeça, sem que se podesse distinguir mais do que um vulto negro.
—Escuta, diz ella, eu trouxe uma escada de corda; vou atal-a ao varão de ferro e tu vais subir. Uma vez cá em cima eu te ajudarei a sahir.
Ao mesmo tempo Gella punha em pratica o que dizia; e Adalberto via vagamente uma coisa que descia pela parede. Não se assustou muito d'este meio de salvação porque em Valneige mais de uma vez tinha feito esse exercicio gymnastico.
Os seus dedos apalpando podiam já apanhar a escada de corda, quando começou entre elle e a filha do Saltimbanco, um dialogo que pintava a luta horrorosa, do espirito contra as aspirações da vida e da esperança.{133}
—Menina Gella, se eu subir, vai levar-me para a casa do saltimbanco?
—Sim.
—Antes quero ficar.
—Mas, meu pobre pequeno, tu vais morrer de fome.
—Custa muito?
—Oh! se custa! muito!