Levantou a fita doirada e disse com uma profunda tristeza!
—Oh! meu Deus! quando penso que esta criança tem mãe!
E dizendo isto, a excellente senhora não poude conter o chôro. Seu marido pegou-lhe na mão:
—Vamos, vamos, socéga, minha boa amiga, não te afflijas mais. Irei, mesmo ámanhã, a casa do commissario de policia, virão lavrar o auto, e, se Deus quizer, chegaremos talvez a encontrar o rasto d'esse desgraçadinho.
—Meu querido Raymundo, eu guardo a{158} fita, mostral-a-hei se for preciso, mas não quero desfazer-me d'ella.
—Porque?
—Porque, vês tu, quando entregarem esta criança a sua mãe, mandar-lhe-hei a fita. Pobre mulher! ha de conserval-a toda a vida como uma lembrança.
—Não muito alegre, accrescentou Sophia.
—Ah! Sophia! Você nunca teve filhos!... Dirá, como toda a gente, que esta fita é triste á vista; mas, quando estiver sósinha, ha de olhar para ella, ha de tocar-lhe. Oh! eu bem sei, o que ella ha de sentir.
Em quanto subiam todos juntos, o amor maternal despertou-se por tal forma no coração da boa Sidonia, que começou a scismar com verdadeira inquietação na sua neta Genoveva que, quando passeava, ia sempre um pouco longe de seus paes ou da sua mestra, não se lembrando senão de ir atraz do arquinho.