Todos partilharam sinceramente a alegria das crianças, e até seu pae sahiu da seriedade em que tinha cahido. De repente, e quando uma conversação animada demorava á meza tão intima sociedade, eis que a velha Rosinha se precipita na sala do jantar, levada por um pensamento que lhe faz esquecer todas as ceremonias.

—Desculpe-me, senhor, disse ella vivamente, o carteiro veio ha pouco e deixou para o senhor uma carta que pôz sobre o buffete n'um cantinho, entre o candieiro e a rolha do frasco da conserva. Parece que bebeu de mais, o que é bem ridiculo para um carteiro! Tem uma lettra tão exquisita, a carta. Não será isto d'alguem que nos dê noticias do pequenino?

O senhor de Valneige, muito impressionado pela perturbação da boa velha, tirou-lhe das mãos a carta mal dobrada, escripta em papel ordinario com uma especie de tinta vermelha{195} apenas legivel, sem ordem, nem orthographia.

A senhora de Valneige ficou immovel, os convidados estavam anciosos e Rosinha esperou de bocca aberta.

O senhor de Valneige leu em alta voz:

«O seu pequeno está bem sou eu que sou a filha do homem que o tem se me dão a sua palavra de honra que não fazem mal a meu pae eu o entregarei.—resposta para o correio a M. XXX em Nantua.»{196}

[CAPITULO XV]

[Adalberto ficou sabendo porque Gella escrevia na areia.]

Um dia de manhã tinham mandado Gella fazer compras a Nantua, porque era perto d'esta cidade que estavam então acampados.

O pequeno Mustaphá acompanhava a rapariga para ajudar a trazer as provisões. O unico prazer que tinha na vida era de longe em longe um passeio com Gella. N'esse dia, á volta, e em quanto caminhava junto d'ella, disse-lhe a sua protectora: