—Olha, tomemos este atalho, d'onde se não vê a carruagem, e vamos-nos sentar um instante; tenho uma coisa para te dizer.
—O que é, minha boa Gella?{197}
—Oh! grandes negocios; mas primeiro vais prometter-me não dizer palavra da nossa conversa.
—Ah! Gella, não tenha medo. Para que ha de desconfiar de mim? Posso eu fazer-lhe mal? E não vê que ha seis mezes, que não tento fugir, com medo que seu pae se enfureça comsigo?
—És muito bom rapaz, bem sei. Ouve: tu não podes viver assim, é preciso acabar com isto. Tenho muita pena quando penso que tens papá, mamã, uma casa, e que podias ser feliz.
—Eu tambem tenho pena, mas o que hei de fazer, se gosto da minha Gella? Ir-me-hia embora, acredite, se não fosse o receio de lhe fazer levar pancadas, e sabe Deus o que mais!
—Pois bem, tudo se ha de arranjar; vou dizer-te o meu segredo.
—Um segredo?
—Sim, um grande segredo. Eu escrevi a teu pae.
—A meu pae? para que?