Josephina, graças aos seus quatorze annos, ficou espantada. Julgava que uma vez este negocio terminado o bom do visinho passaria a divertir-se muito, e que todos os abafos seriam desnecessarios. Quanto se enganava! O senhor Baptista juntou aos outros o lenço da algibeira, com que tapou a bocca, e declarou que tinha mais uma dôr de cabeça furiosa.
Que desengano! Josephina assustou-se com{218} a idéa de tornar a subir para a carreta, mas felizmente não foi preciso. O honrado mercador de queijo installou-se n'uma pequena casa de pasto improvisada, estabelecida por tres dias debaixo de uma barraca parda, e em vez de fazer ali algum gasto entregou-se pelo mesmo preço ao aborrecimento resultante do seu incommodo.
Ainda que d'uma apparencia muito feia o bom do homem não era nada egoista; exigiu pois dos seus companheiros de viagem que não fizessem mesmo caso d'elle. Josephina achou esta idéa magnifica; mas a senhora Tourtebonne prometteu vir de vez em quando perguntar como elle estava, e partir no meio do dia se o seu incommodo se tornasse insupportavel.
Josephina resignou-se e andou com a sua digna conductora uns duzentos passos n'uma hora; tantas coisas havia para admirar!
Apezar de se extasiar vendo isto e aquillo, a boa rapariguinha exclamou:
—Oh! o que eu desejo vêr, mais do que tudo, são os saltimbancos.
—E eu tambem, minha pequena.
—Bem sei eu porque. Está pensando no seu rapazinho?
—Justamente. Desde esta manhã que só penso n'elle, e toda a noite sonhei com aquelle desgraçadinho querido filho!
—E acha que poderia reconhecel-o?