MOTE.
Amor para me prender
Os teus olhos me mostrou.
GLOZA.
Mil bellezas me fez vêr,
Porque alguma me rendesse,
Não sabia o que fizesse
Amor, para me prender.
Mil laços me foi tecer,
Laços vãos, que em vão me armou;
Provadas settas tirou,
Que hia em veneno ensopando;
Porém só me rendi quando
Os teus olhos me mostrou.
MOTE.
A minha felicidade.
GLOZA.
Cesse, ó Nize, o teu rigor:
Esse odio injusto reprime:
Perdem o nome de crime
Os crimes que faz amor.
Torne ao seu antigo ardor
A nossa antiga amizade:
Adoça a rigoridade
Do penoso estado meu,
E faze c'hum riso teu
A minha felicidade.
MOTE.
Quem adora occultamente
Sem declarar seu amor
Sente mil ancias no peito,
Vive cercado de dôr.