—O senhor está no caso de saber quando ella recebe as suas visitas.
—Visitas! em casa da Lisa! oh! nunca! que eu saiba, nunca a nossa visinha recebeu ninguem de fóra. Só a sr.ª Proh é que lá subiu uma ou duas vezes com o filho, para levar trabalho. O garoto não cessava de gritar: que feio que é isto aqui! e, como queria ralar a paciencia á pobre da avó, Lisa pôl-o fóra de casa. Emquanto á senhora Pro-tocole, essa não se fartava de dizer á rapariga: «Eu não poso pagar isto por doze soldos, é muito caro, não dou senão dez.» E tantas vezes o repetiu, que Lisa respondeu-lhe: «Dê a senhora o que quizer...» Pobre pequena! regatear por dois soldos, a quem trabalha dia e noite para sustentar a avó! é uma acção digna da sr.ª Pro-fanée!...
—Volte a cabeça um pouco mais para a esquerda. Muito bem, faça por conservar essa posição...
—Está satisfeito commigo?
—Sim, senhor, não se põe mal... isto hade ir...
—O senhor está pintando o meu retrato para o mandar á exposição?
—Talvez, se me sair bom.
—Em todo o caso, ha-de-m’o dizer, não é verdade? porque eu não desgostaria de me ir contemplar.
—Sim, sim, mas ainda lá não chegámos. Sabe o sr. Rouflard quem eu estimaria bastante ter por modelo?
—Ora! aposto que adivinho? é a menina Lisa que o senhor quereria retratar!