—Isto é que é falar como Buckingam obrava, o senhor tinha nascido para semear perolas no seu caminho e eu para as apanhar.

Casimiro acha a sua amante acabando de arranjar-se e dispondo-se para ir a sua casa.

Até que emfim! é uma felicidade vel-o! exclama Ambrosina, o senhor vem cada vez mais tarde; d’aqui a pouco, sem duvida, deixa de vir de todo.

—Minha querida amiga, desculpe-me, tenho hoje tido muitas occupações.

—Esteve a trabalhar com o borrachão do seu modelo... como é interessante!...

—Não, hoje não trabalhei com Rouflard; recebi a visita do logista que me vende os quadros; dê-me os parabens, está vendida a minha paizagem.

Ambrosina franze o sobr’olho e morde os beiços, respondendo ao mesmo tempo:

—Ah! está vendida a sua paizagem...

—Sim, e muito bem vendida, por muito mais do que eu teria ousado pedir.

—O senhor é demasiadamente modesto, e faz mal em ser assim; nas artes, a modestia é uma tolice, porque é um merecimento que ninguem leva em conta ao artista, e que muitas vezes o impede de chegar á celebridade. Porquanto lhe pagaram o seu quadro?