—Quatrocentos e cincoenta francos.

—Ah! que miseria! e é isso que o senhor chama bem vendido! pensava que ia dizer-me dois ou tres mil francos.

—Ah! está zombando commigo! bem sabe que aquella pequena paizagem não valia isso; para uma estreia é um preço muito bonito; isto anima-me, e quero trabalhar de modo que possa vender mais caro os quadros que fizer.

—Ah! o senhor tenciona fazer outros quadros de genero; então renuncia ao retrato? Provavelmente não acabará o meu, pelo qual não mostrava nenhum enthusiasmo.

—Como é injusta! sou sempre eu que lhe peço para se pôr em attitude; mas a senhora, em estando em posição um quarto de hora enfada-se, já não pode estar quieta no mesmo sitio.

—Ah! é que me faz mal aos nervos! Vamos, a sem razão está da minha parte, convenho. D’aqui em deante serei mais razoavel, irei metter-me em sua casa logo pela manhã, e não arredarei pé do seu atelier, assim, poderá fazer-me estar em posição todo o tempo que quizer.

D’esta vez, é Casimiro que morde os labios e franze ligeiramente as sobrancelhas. É coisa para se notar que, n’um colloquio de duas pessoas, fazem-se muitissimas vezes d’estas mudanças physionomicas, que dizem o que a bocca não diz, ou que significam inteiramente o contrario do que ella diz. Porque, por mais que se queira dissimular o pensamento, ha sempre alguma coisa que transparece n’este semblante que a natureza nos deu, e que é por vezes rebelde ás transformações que lhe queremos impôr.

Ambrosina deseja ir passear ao campo. Casimiro accede a esse desejo com alegria; como trouxe comsigo o seu livro de lembranças, tomará notas, esboçará alguns pontos de vista.

—Se nós fossemos á Suissa? diz a bella morena; é lá que o meu amigo acharia vistas admiraveis, que poderia fazer ampla provisão de bosquejos para os seus quadros de genero.