Dão oito horas: Casimiro vae abrir a porta da escada, certifica-se de que não está ainda alli ninguem, depois vae buscar todos os objectos de que precisa, e sobe lentamente os dois andares.

A porta de Lisa tem a chave na fechadura; mas vem ella pessoalmente abril-a, porque ouviu subir e desconfiou logo que é a pessoa por quem espera.

—Oh! meu Deus! como o senhor vem carregado! exclama Lisa querendo desembaraçar Casimiro do seu cavallete.

—Tudo isto é muito leve, menina, não se incommode. Posso entrar?

—De certo; minha avó está a dormir, creio eu, mas, ainda mesmo que acordasse, eu disse-lhe hontem que o senhor havia de vir aqui fazer o meu retrato, e ella ficou muito contente. Disse-me assim: «Has de collocal-o deante de mim para que eu te veja sempre minha filha.» Ah! é que ella quer-me muito, a minha avósinha.

—Bem vê pois a minha querida vizinha que, consentindo em se deixar retratar, já fez duas pessoas felizes!

—É verdade. Se eu soubesse que era assim, teria accedido mais cedo. Creio que a avósinha está descançando; não faremos bulha.

—Eu não tenho necessidade nenhuma de fazer bulha quando trabalho. Olhe, aqui tem o cavallete armado, estou ás suas ordens.

—Mas o senhor é que manda; como quer que eu me colloque?

—Como costuma estar; sente-se e pegue no seu trabalho.