—O quê! o meu vizinho vae pintar em casa da pequena do quinto andar! palavra de honra, é a primeira vez que tal sei; mas este pequeno é extraordinario, minha senhora, sabe tudo, vê tudo o que se passa, não lhe escapa nada!
—Quem será essa menina Lisa que recebe o sr. Casimiro?
—É uma rapariga que vive com sua avó; a pobre velha está doente, meio paralytica; Lisa trabalha para a sustentar. Oh! é uma donzella honesta, muito capaz... pelo menos assim o creio.
—É bonita?
—Hum? bem sabe que isso depende do gosto, uma carinha que não é de todo desengraçada...
—Não! não! não! Rouflard diz que a menina Lisa é um anjo. Oh! oh! oh! ah! ah! ah!
—Ah! o Rouflard conhece-a, perdão, minha senhora, mas como é absolutamente preciso que eu fale ao Casimiro, tomo a liberdade de o ir procurar a casa d’essa menina. Não me disse que é no quinto andar?
—Sim, a porta á direita...
—A chave está sempre na fechadura. Hu! hu! hu!...
Ambrosina não quer ouvir mais, e galga os andares como um valente soldado sobe ao assalto. Chega acima n’um instante; acha effectivamente a chave na porta á direita, abre de repente, e dá com a menina Lisa sentada defronte de Casimiro, com a sua costura na mão, mas sem trabalhar; pela sua parte, o joven pintor está ao seu cavallete, com a palheta e o pincel nas mãos, mas sem pintar. Á vista d’esta pessoa que abriu a porta e se conserva immovel á entrada do quarto, o artista e o seu modelo ficam espantados. Mas Casimiro é o mais impressionado, porque Lisa recobra logo a sua placidez e diz a Ambrosina: