—E mais que singular! exclama Celeste, cuja physionomia tomou já um aspecto severo. Emfim, a menina bem sabe que eu deixei-lhe sobre esta mesa duas colheres de prata, uma pequena e uma grande, a pequena aqui está, mas que é feito da grande? é preciso que appareça, é preciso! não entrou aqui outra pessoa além da menina... logo é a menina a unica responsavel pela colhér...e a menina ia saindo com tanta pressa...

—Oh! minha senhora, pois pode suspeitar que eu levava a sua colhér! ah! veja bem, minha senhora, esquadrinhe tudo... veja nas minhas algibeiras, no meu vestido. Oh! meu Deus! suspeitar-me de-furtar...

—Eu não digo isso; mas algumas vezes, inadvertencia... sem fazer reparo...

—Oh! veja, minha senhora, peço-lhe eu, faça favor de me revistar!...

A sr.ª Proh apressa-se a passar revista ás algibeiras de Lisa; apalpa-a por toda a parte, ausculta-a como faria um cirurgião, examina-lhe até os sapatos, ainda que a rapariga tem o pé tão pequeno que o seu calçado mal poderia conter uma colhér pequena. Esta inspecção severa prova á esposa do antigo professor que Lisa não levava a colhér.

—Então, minha senhora, está agora persuadida de que eu não levava nada? diz Lisa.

—De certo, bem vejo que a não tem em si, mas então o que fez a menina á colhér? vamos... procure... atirou certamente alguma agua pela janella e deitou fóra tambem a colhér.

—Não, minha senhora, não atirei nada pela janella.

—Ou deixou-a caír n’alguma parte?