—Eu não saí d’este quarto, minha senhora; não fui ao patamar...

—Oh! ao patamar, de facto, não teria podido lá ir, porque eu fecho sempre com tres voltas a porta que dá para a escada; e tem um ferrolho de segredo... acabo agora de a abrir...

—De modo que a senhora está bem certa de que eu não saí de sua casa esta noite durante o seu somno...

—Valha-me Deus! não digo o contrario!... mas tudo isso não me restitue a minha colhér...

—Ha-de se achar, minha senhora, ha de se achar no momento em que menos se pensar n’ella.

—Mas onde diabo a escondeu?...

—Para que quer a senhora que eu a tenha escondido? com que fim? porque motivo? Volto para juncto de minha avó, que deve estar agora acordada... a senhora fica bem certa de que não levo a sua colhér, não é verdade?

—Estou certa de que não a tem em si... mas que diabo fez d’ella?

—Oh! se é preciso pagar-lhe o valor da colhér, eu lh’o pagarei, chegarei a isso á força de trabalho; mas, por quem é, não fale em similhante coisa a minha avó, que lhe faria muito mal...