—Pensou a senhora revistar tudo... ha sitios mysteriosos onde se escondem muitas coisas; pergunte aos ladrões onde escondem os diamantes que roubaram!...
—Oh! senhor, uma colhér de sopa não se esconde como um diamante, ainda se fosse uma das pequenas!...
—Senhora, ha pessoas que teem grandes facilidades.
Esta historia da colhér de prata desapparecida não tarda a saber-se em todo o predio, e a ser o assumpto de todas as conversações. Adriana, que a ouve contar no cubículo do porteiro, não falta a ir referil-a a sua ama, que a escuta muito atenta, mas sem fazer reflexão.
—A senhora deu obra a fazer áquella rapariga, diz Adriana, mas quando ella aqui vier trazel-a, terei o cuidado de não lhe tirar a vista de cima, e de não deixar por ahi nada ao alcance da mão.
—Quando ella aqui vier, diz Ambrosina, ficará a menina no seu quarto até que eu a chame. Não se esqueça disto...
Adriana retira-se resmungando. O porteiro revistou o pateo e os canos das aguas; está persuadido de que a menina Lisa não é culpada. O Fonfonsinho canta na escada:
Ficámos sem uma colhér de prata,
Desde que Lisa velou minha mana