E Rouflard, que ouve isto, apanha o rapazito pelos fundilhos das calças e suspende-o no ar, dizendo-lhe:
—Aposto que foste tu, velhaquete, que pregaste a peça; provavelmente foste buscar a colhér durante a noite para tomares xarope.
—Não é verdade... eu durmo com o papá, não me levanto de noite; isso é bom para o senhor.
—Cala-te, sapo!...
Os gritos do rapazinho fazem acudir os esposos Proh, assim como o jovem pintor. Ao saber dos boatos que correm a respeito de Lisa, Casimiro fica furioso; dirige-se à sr.ª Proh:
—Espero, minha senhora, que não suspeite que Lisa lhe tenha furtado essa peça de baixela que lhe falta?
—Eu não digo que foi ela que a tirou, mas digo que foi quem a perdeu; acha que isto me possa ser agradavel?
—Minha senhora, eu fico responsavel por essa menina, e, aconteça o que acontecer, a senhora não perderá nada.
—E eu, exclama Rouflard, repito que a menina Lisa é incapaz de commetter uma acção feia! é um modelo de probidade, como de juizo, de prudencia, de bondade. Quem trabalha sem descanço para sustentar uma velha paralytica, não deve um instante ser suspeitada.
—Mas parece que a velha tem um grande amor pelas colhéres de prata, replica a sr.ª Proh, porque ella propria me mostrou uma que a sua Lisa lhe tinha comprado...