—Vejo que a não escondeu em si; mas, se não a acharmos, é que a menina a terá levado para outra parte.
—Mas para onde, minha senhora, se não saí d’este quarto?
—Quem me prova isso? por este corredor pode-se sair perfeitamente sem acordar ninguem...
—Oh! minha senhora, é horrivel pensar isso. Meu Deus meu Deus! sou bem desgraçada!...
Lisa rompe em soluços. Adriana tem-se posto de gatas e esquadrinha debaixo de todos os moveis; mae em vão se procura por toda a parte, a colhér não se acha. Ambrosina approxima-se da pobre Lisa, que se afflige muito, e diz-lhe:
—Socegue, não darei seguimento a este negocio, o que outrem talvez faria, vá, não a demoro mais. Tomarei unicamente a liberdade de dizer ao sr. Casimiro que não é feliz na escolha dos seus novos conhecimentos.
Lisa não escuta mais nada; tarda-lhe sair d’aquelle quarto, que ella achou tão bonito na vespera. Caminha, mal podendo suster-se, e chega assim até á escada. Mas, no segundo andar, encontra Casimiro, que a estava esperando, e que exclama, vendo-a lavada em lagrimas:
—O que foi? que succedeu? o que tem a menina ainda? o que é que lhe fizeram para chorar assim?
Lisa conta a Casimiro o que se acaba de passar, e refere-lhe as palavras de Ambrosina, que lhe disse que ella teria podido sair sem acordar ninguem.
—Mas então, diz Casimiro, podia-se tambem chegar até junto da menina sem ser ouvido. A menina dormiu durante a noite?