—Pois bem! então onde está a colhér?
—Que sei eu? debaixo das suas saias talvez....
—O senhor insulta-me, eu sou uma rapariga honrada, toda a gente o sabe, e tenho orgulho n’isso.
—Quem é honrada, não se gaba de o ser, não faz mais que o seu dever....
—Fica-lhe bem falar assim, o senhor que bebe o rhum que lhe mandam comprar. Ah! eu sei essa historia; o porteiro tem-me contado as suas proezas.
—Contou-lhe tambem as d’elle, quando era meu creado?
—O senhor teve um creado? oh! é boa pilheria...
—Pouco me importa que o acredite ou não, não é de mim que se tracta, é da menina Lisa, que eu lhe prohibo accusar de furto.
—O senhor prohibe-me! Ah! eu não faço caso das suas prohibições, sim, a menina Lisa furtou uma cochér, ou duas, para melhor dizer...
Adriana dizia isto gritando com todas as suas forças; Rouflard está furioso. Ao barulho que se faz no patamar do primeiro andar, quasi todos os inquilinos do predio teem saído de suas casas, e Casimiro chega alli no momento em que Ambrosina vinha tambem á escada para ordenar á sua creada que se callasse.