—Prometteu não se deixar dormir, e eu incitei-a tambem a isso, para que ella veja se alguem vem ter com ella durante a noite.

—Oh! o senhor fez muito mal, pelo contrario, é preciso que Lisa durma, é indispensavel; é com isso que eu conto...

—Não a comprehendo, minha senhora.

—Ha de comprehender-me esta noite; demais, vou preparar uma bebida ligeiramente soporifica, e pedir-lhe-hei que a faça beber o senhor mesmo a essa menina, dizendo-lhe que é para se conservar bem esperta.

—Mas, minha senhora...

—Senhor, se Lisa não dormir, não saberemos nada, e esta experiencia será completamente inutil.

—Oh! n’esse caso obedecerei, porque tenho confiança na senhora.

—Folgo de crer que se não arrependerá. Venha, senhor, acompanhe-me, vou leval-o ao quarto onde Lisa ha de ficar velando esta noite; é onde dorme minha mana, que goza de perfeita saude, mas que fingirá estar doente, e pela noite adeante pedirá de beber duas ou tres vezes quando a sua enfermeira não estiver a dormir.

A sr.ª Durmont faz entrar o rapaz n’um bello quarto de dormir, que tem duas portas: uma, que é de vidraça, dá para outro quarto; ahi estão os vidros apenas cobertos por uma ligeira cortina de cassa. A senhora leva Casimiro a este quarto, e diz-lhe:

—Não acha, senhor, que detraz d’esta vidraça se pode ver tudo quanto se faz no quarto onde Lisa ha de ficar?