—É tão tola que se foi embora chorando. Mas o mais curioso da historia, é que, no domingo seguinte, o tal sujeitinho tornou-lhe a pregar a mesma peça. Jantam n’uma casa de pasto, e na occasião de pagar a despeza o patife diz que não tem dinheiro.

—Ah! isso é forte demais! e ella pagou outra vez?

—Pagou, mas pelas suas proprias mãos, e guardou o troco. Desde esse dia, nunca mais tornou a vêr o seu parasita.

—Pobre Luizita! mas eu não a devo lastimar, que ella é muito presumida. E tu, Rosa, ainda estás em casa dos mesmos patrões?

—Dos Dupont? oh! não, graças a Deus! deixei-os! não era gente fina, aquillo não me convinha! A senhora ia á praça, ella é que me comprava tudo: O patrão descia elle mesmo á adega; sabia a conta das garrafas. Não se podia fazer nada com aquella gente! eram uns piolhosos, minha rica! Fechavam o assucar e os licores; aquillo não me podia convir. Eu tinha acceitado aquella casa emquanto me não apparecia outra; eu bem sabia que não ficaria lá muito tempo.

—E hoje estás melhor?

—Ah! minha rica, tenho um bello commodo! estou em casa d’um homem só, um patrão rico, generoso, nada apoquentador, negoceia por gosto, sómente para se entreter. Temos uma bella casa aqui perto, na rua Béranger, seis casas n’um segundo andar. Fiz com que o senhor tomasse um criado para esfregar; elle não o tinha, mas percebeu que eu não podia fazer tudo.

—Tens boa soldada!

—Seiscentos francos, sem contar as gratificações, os presentes!...

—Teu amo dá-te presentes! sempre és muito feliz!