—Venha, minha senhora, diz-lhe Casimiro, venha, vamos a sua casa, a colhér deve estar egualmente escondida debaixo do leito da sua doentinha; é preciso que a senhora tenha pessoalmente a prova da innocencia de Lisa...

Mas Ambrosina parece estar attonita; acaba de ver a medalha que a rapariga traz ao pescoço; essa medalha, que tem uma fórma particular, é esmaltada toda em roda e artisticamente lavrada. Ambrosina não pode tirar d’ella os olhos, e responde apenas a Casimiro:

—Vá, senhor, vá com essa senhora... não precisam de mim; a minha creada está velando, com luz... demais, aqui teem a minha chave...

—Mas porque não vem a senhora comnosco?

—Porque não, alguma coisa muito mais importante me faz ficar ao pé de Lisa; logo saberão o que é... andem, vão...

Casimiro não insiste, porque demais está com pressa de ir procurar a outra colhér; a sr.ª Durmont não tem menos pressa, porque sente certo orgulho em ter conseguido descobrir o mysterio que envolvia as acções de Lisa. Na escada encontram Rouflard, o qual se puzera alli de sentinella.

—Justificada! diz-lhe logo Casimiro, Lisa é somnambula, e a dormir, pensando sempre na colhér da avó, esconde debaixo do colchão de crina quantas colhéres encontra á mão. Vamos procurar a que ella deve ter escondido assim em casa da sr.ª Montémolly.

—Ah! por favor, permittam-me que vá tambem, exclama Rouflard, gostarei muito de ver a cara que vae fazer a besbilhoteira da creada!...

—Venha, Rouflard, venha...