—Sim, eis todo o mysterio! Ah! subo a casa dos Proh, para lhes dizer onde teem a colhér...
—Mas elles estão a dormir, Rouflard!
—Razão de mais, meu artista; isso ha de fazer-lhes mais effeito! quero que a justificação do meu anjo bom faça tanta bulha como as calumnias que lhe accusavam.
XVIII
Outra descoberta
Casimiro e a sr.ª Durmont voltam a ter com Ambrosina; acham-n’a ainda ao pé de Lisa, que não acordou, devorando com os olhos a medalha suspensa ao pescoço da donzella, mas não se atrevendo a tocar-lhe, com receio de a fazer sair do somno um pouco forçado em que a mergulhou o narcotico que lhe fizeram tomar.
—Minha senhora! minha senhora! aqui tem a sua colhér! exclama Casimiro mostrando a colhér de prata; estava escondida como aqui; graças a esta senhora, a pobre rapariga está plenamente justificada...
—Sim, senhor, sim; eu não duvidava d’isso; mas alguma coisa que não posso comprehender me detem ao pé de Lisa; esta medalha que ella traz, é exactamente como aquella que eu tinha posto ao pescoço de minha filha; a minha abria-se, e na parte anterior tinha eu mandado gravar duas letras: um A e um G, que eram as iniciaes do meu nome e do de seu pae; ardo em desejo de saber se esta medalha se pode abrir, mas não me atrevo a tocar-lhe com receio de acordar esta menina...
—Oh! não ha perigo! diz a sr.ª Durmont, o seu somno é profundo agora; espere... espere, vou tirar-lhe; ou antes desatar esta fita.