A inquilina do segundo andar faz esta operação com muito geito; desata a fita, tira a medalha, e apresenta-a a Ambrosina; esta pega n’ella com a mão tremula, busca, descobre a juntura; a medalha abre-se. Ambrosina dá um grande grito, acaba de reconhecer as duas letras, e mostra-as ás pessoas que a rodeiam, dizendo-lhes:

—Olhem! vejam... um A e um G... é exactamente a medalha que eu tinha posto ao pescoço de minha filha quando a entreguei á ama. Como é que ella se acha ao pescoço d’esta menina?

Entretanto o grito dado por Ambrosina acordou Lisa, que abre os olhos, põe-se a olhar para as pessoas que a cercam, e balbucia:

—Meu Deus! o que é que eu fiz ainda?...

—Não receie nada, minha menina, diz a sr.ª Durmont, a sua innocencia está reconhecida; tudo lhe será explicado...

—Mas n’este momento, diz Ambrosina, queira responder-me, esta medalha, que a menina trazia ao pescoço, e que eu tomei a liberdade de lhe tirar para a examinar de mais perto, d’onde lhe veiu? de quem a houve?

—De quem a houve? mas eu tenho-a tido sempre, foi minha mãe que m’a pôz ao pescoço quando me levou para casa da minha ama.

—Sua mãe? meu Deus!... como se chama ella?

—Eu nunca o soube, ella não dizia o seu nome quando vinha ver-me a casa da minha ama...

—Como! a menina não sabe? e tem comsigo sua avó... ella existe?...