—Ah! minha senhora, a pobre velha paralytica não é minha parenta; era mãe da minha boa ama, que tinha muito cuidado em mim, que me conservou comsigo, quando minha mãe me abandonou; eis a razão por que eu, quando a minha ama morreu, tive sempre cuidado em sua mãe...

—Meu Deus! tudo o que estou ouvindo... minha menina... por quem é... diga-me a terra onde foi educada...

—Em Pierrefitte, minha senhora...

—Pierrefitte... está bem, ah!... e o nome da sua ama...

—Catharina Vauger...

—Ah! não me resta duvida! és minha filha!...

Ambrosina aperta Lisa nos braços, e cobre-a de beijos, dizendo-lhe:

—Sim, és effectivamente minha filha, mas não creias que eu tivesse nunca o pensamento de te abandonar, eu, que era tão feliz em ter uma filha! Tu foste... fomos ambas indignamente enganadas; eu tinha uma tia que te detestava; durante uma viagem que fiz a Italia para restabelecer a minha saude, essa tia, a quem eu tinha recommendado muito que velasse por ti, annunciou-me que tinhas deixado de viver!...

—Oh! então, deve ter sido ella que escreveu á minha ama, remettendo-lhe uma quantia bastante avultada, para que viesse estabelecer-se em Paris, e não me chamasse mais senão Lisa em vez de Leontina, que era o nome que minha mãe me tinha dado...

—Leontina... ah! é isso mesmo... tua mãe... mas sou eu... querida filha, sou eu mesma... acaso não terás por mim alguma affeição... não me perdoarás... o mal que te tenho feito?...