Ambrosina, que tencionava entregar á filha uma parte dos seus haveres, dá-lhe primeiro em dote a fortuna que lhe deixa o sr. Loursain, comprando ella para si uma bonita casa nos suburbios de Paris, onde faz tenção de ir viver quando Lisa casar com Casimiro.
Essa união pouco tarda a fazer-se, porque Lisa confessou a sua mãe que ama o rapaz que lhe fez o retrato. Ambrosina estabelece os jovens noivos n’uma linda habitação, e retira-se para a casa de campo, onde agora quer viver sempre; Lisa, porém, se deixou sua mãe, não quiz, posto que casada separar-se d’aquella de quem cuidava tão carinhosamente na sua pobre agua-furtada, da boa velha a quem ella chamava avó, e Casimiro, lá de si para si, estima cem vezes mais que ella tenha na sua companhia esta do que a outra.
Desde que em casa dos Proh se achou a colhér de prata, o Fonfonsinho não cessa de gritar por toda a parte:
—Lisa é funanbula! e quando uma pessoa é funanbula esconde tudo quanto quer:
Debalde a sr.ª Proh diz ao filho:
—Não é funambula, somnambula é que essa menina era...
—Qual é a differença?
—A differença, meu filho, é que os somnambulos andam a dormir e os funambulos andam n’uma corda e até dansam, estando acordados.
—Pois bem! eu antes quero ser somnambulo!
—Para quê, filho? o somnambulismo é uma enfermidade, emquanto que o funambulismo é um talento!