—Sente-se, que vou já despachal-a.

—Ah! agradeço-lhe muito a sua bondade! é que me faz muita pena vêr soffrer a pobre de minha ama.

Começa o praticante a aviar a receita da sr.ª Montémolly, quando se abre de novo a porta, e invade a pharmacia uma mistura de cheiros activissimos; é a senhora que tem medo do cholera, que torna a entrar e vae importunar o rapaz que está ao balcão, exclamando:

—Ah! senhor! não pode fazer idéa de como cheira mal a rua Meslée!...

—Sinto muito, mas que quer que lhe faça?

—Anda alguma coisa no ar, oh! certamente, o ar está máu n’este momento!...

—É talvez uma trovoada que se prepara!...

—Oh! o que se prepara é outra coisa. Quer ter a bondade de me desrolhar o meu frasco de agua de Melissa? Se me dá licença, vou esfregar o nariz e as fontes, e então poderei affrontar com menos susto os miasmas da rua.

—Faça o que quizer, minha senhora, aqui tem o seu frasco aberto; quer uma chicara?

—Bastará a ponta do meu lenço, vou embebel-a muito bem...