Effectivamente, esta senhora deita agua de Melissa no lenço, depois esfrega as fontes, lava o nariz, introduz tanto quanto pode o lenço molhado nas ventas, esfrega tambem a testa, deita agua de Melissa na palma da mão, depois aspira-a a ponto de espirrar oito vezes a fio. Emfim acabada esta ceremonia, torna a rolhar o frasco, mette-o na algibeira, vae-se, dizendo:

—D’esta vez, creio que estou bem preservada do máu ar!...

—Oh! sim, minha senhora, está bem preservada, exclama o aprendiz de boticario. Folgo de crer que tambem nós o estamos agora das suas visitas. Que fregueza!...

—Mas é ella que empesta a gente, diz Adriana; o que foi então que o senhor deu áquella senhora?

—Tudo o que ella quiz!...

—Qual é a doença d’ella?

—A doença é medo, que é o mal mais commum e que nos manda cá mais gente. Esta senhora tem medo do cholera; outras têem medo d’uma molestia de que não apresentam o mais pequeno symptoma mas de que se julgam ameaçadas... o medo não raciocina! Ninguem faz idéa de quantos freguezes elle nos arranja...

—Ai! com a bréca! exclama um dos praticantes, eil-a ahi outra vez de volta comnosco!...

—Quem?